Qualidade de Software

 

 


Qualidade

 

Você sabe o que é qualidade? Existem diversas definições. Algumas pessoas que tentaram uma definição simples chegaram a frases como:

 

·         Qualidade é estar em conformidade com os requisitos dos clientes

·         Qualidade é antecipar e satisfazer os desejos dos clientes

·         Qualidade é escrever tudo o que se deve fazer e fazer tudo o que foi escrito

 

Segunda a atual norma brasileira sobre o assunto (NBR ISO 8402), qualidade é:

 

A totalidade das características de uma entidade
que lhe confere a capacidade de satisfazer
às
necessidades explícitas e implícitas


A definição formal exige alguns complementos, principalmente para definir o que são as entidades, as necessidades explícitas e as necessidades implícitas. A entidade é o produto do qual estamos falando, que pode ser um bem ou um serviço. As necessidades explícitas são as próprias condições e objetivos propostos pelo produtor. As necessidades implícitas incluem as diferenças entre os usuários, a evolução no tempo, as implicações éticas, as questões de segurança e outras visões subjetivas.

Por exemplo, a qualidade de um prato de comida (a entidade, o produto) está relacionada com a satisfação de necessidades (requisitos) tais como: sabor, aparência, temperatura, rapidez no serviço, preço, higiene, valor nutricional, etc... Para avaliar a qualidade de um produto, você deve fazer uma lista destas necessidades e analisar cada uma destas necessidades.

 

 

Certificação de Qualidade

 

Um aspecto interessante da qualidade é que não basta que ela exista. Ela deve ser reconhecida pelo cliente. Por causa disso, é necessário que exista algum tipo de certificação oficial, emitida com base em um padrão. Exemplos dos certificados mais comus:

 

·         O selo do SIF de inspeção da carne

·         O selo da ABIC nos pacotes de café

·         O certificado da Secretaria de Saúde para restaurantes (classe "A" são os melhores)

·         A classificação em estrelas dos hotéis (hotéis com cinco estrelas são ótimos)

·         Os certificados de qualidade da série ISO-9000

 

Existem muitas propagandas de empresas falando de sua certificação ISO-9000. Isto nada mais é do que um padrão de qualidade (reconhecido mundialmente) pelo qual esta empresa foi avaliada e julgada. Para que seja possível realizar uma avaliação e um julgamento, é necessário haver um padrão ou norma. Existem alguns organismos normalizadores reconhecidos mundialmente:

 

·         ISO - International Organization for Standardization

·         IEEE - Instituto de Engenharia Elétrica e Eletrônica

·         ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas

 

A norma ISO-9000, por exemplo, foi criada pela ISO para permitir que todas as empresas do mundo possam avaliar e julgar sua qualidade. Existindo um padrão único mundial, uma empresa do Brasil, mesmo não tendo nenhum contato com uma outra empresa na Europa, pode garantir a ela a qualidade de seu trabalho.

A Certificação em uma norma ou padrão é a emissão de um documento oficial indicando a conformidade com esta determinada norma ou padrão. É claro que, antes da emissão do certificado, é preciso realizar todo um processo de avaliação e julgamento de acordo com uma determinada norma. Embora uma empresa possa auto-avaliar-se ou ser avaliada por seus próprios clientes, o termo Certificação costuma ser aplicado apenas quando efetuado por uma empresa independente e idônea, normalmente especializada neste tipo de trabalho. No Brasil, o INMETRO é o órgão do governo responsável pelo credenciamento destas instituições que realizam a certificação de sistemas de qualidade.

Qualidade do Produto x Qualidade do Processo

 

Uma das evoluções mais importantes no estudo da qualidade está em notar que a qualidade do produto é algo bom, mas que qualidade do processo de produção é ainda mais importante. No caso do prato de comida, por exemplo, nós podemos dizer mais sobre a qualidade observando como o prato foi preparado do que analisando o produto final. Afinal, nós não conseguimos ter certeza da higiene ou o valor nutricional apenas comendo o prato.

Esta descoberta aconteceu durante a própria evolução dos conceitos de qualidade, ao longo dos anos. Observe na tabela abaixo como aconteceu esta evolução:

 

 

Inspeção pós-produção

Avalia o produto final, depois de pronto

1900

Controle estatístico da produção

Avalia os subprodutos das etapas de produção

1940

Procedimento de produção

Avalia todo o procedimento de produção

1950

Educação das pessoas

Avalia as pessoas envolvidas no processo

1960

Otimização dos processos

Avalia e otimiza cada processo

1970

Projeto robusto

Avalia o projeto de produção

1980

Engenharia simultânea

Avalia a própria concepção do produto

1990

 

Hoje em dia, nós podemos consultar normas e padrões tanto para produtos quanto para processos. Obviamente, os certificados mais valiosos são aqueles que certificam o processo de produção de um produto e não aqueles que simplesmente certificam o produto. Entretanto, é comum encontrar empresas que perseguem os dois tipos de padrão de qualidade.

Qualidade de Software

 

Agora que nós já sabemos o que é qualidade e como ela pode ser avaliada, vamos tentar aplicar estes conceitos aos produtos de software e ao processo de desenvolvimento de software. Inicialmente, vamos encontrar um grande problema: muitas pessoas acham que criar programas é uma arte que não pode seguir regras, normas ou padrões. Isto acontece principalmente porque:

 

·         Produtos de software são complexos, até mais do que o hardware onde executam

·         Software não têm produção em série. Seu custo está no projeto e desenvolvimento

·         Software não se desgasta e nem se modifica com o uso

·         O Software é invisível. Sua representação em grafos e diagramas não é precisa

·         A Engenharia de Software ainda não está madura, é uma tecnologia em evolução

·         Não há um acordo entre os profissionais da área sobre o que é Qualidade de Software

Apesar de tudo isso, nós precisamos entender que o problema não está no Software em si, mas na forma como as pessoas tem desenvolvido software até os dias de hoje. Provavelmente já ouvimos dizer que "Se os engenheiros construíssem prédios como os analistas constroem software, um único pica-pau destruiria a humanidade". Exageros à parte, você precisa se conscientizar que nós precisamos aplicar na indústria de software os conceitos de qualidade, urgentemente.

Atualmente, muitas instituições se preocupam em criar normas para permitir a correta avaliação de qualidade tanto de produtos de software quanto de processos de desenvolvimento de software. Apenas para ter uma uma visão geral, observe o quadro abaixo com as principais normais nacionais e internacionais nesta área:

 

Norma

Comentário

ISO 9126

Características da qualidade de produtos de software.

NBR 13596

Versão brasileira da ISO 9126

ISO 14598

Guias para a avaliação de produtos de software, baseados na utilização prática da norma ISO 9126

ISO 12119

Características de qualidade de pacotes de software (software de prateleira, vendido com um produto embalado)

IEEE P1061

Standard for Software Quality Metrics Methodology (produto de software)

ISO 12207

Software Life Cycle Process. Norma para a qualidade do processo de desenvolvimento de software.

NBR ISO 9001

Sistemas de qualidade - Modelo para garantia de qualidade em Projeto, Desenvolvimento, Instalação e Assistência Técnica (processo)

NBR ISO 9000-3

Gestão de qualidade e garantia de qualidade. Aplicação da norma ISO 9000 para o processo de desenvolvimento de software.

NBR ISO 10011

Auditoria de Sistemas de Qualidade (processo)

CMM

Capability Maturity Model. Modelo da SEI (Instituto de Engenharia de Software do Departamento de Defesa dos EEUU) para avaliação da qualidade do processo de desenvolvimento de software. Não é uma norma ISO, mas é muito bem aceita no mercado.

SPICE
ISO 15504

Projeto da ISO/IEC para avaliação de processo de desenvolvimento de software. Ainda não é uma norma oficial ISO, mas o processo está em andamento.

 

Engenharia de Software

 

Como nós já vimos, a disciplina que vai nos ajudar a entender o processo de desenvolvimento de software é a Engenharia de Software. É através dela que poderemos chegar à qualidade. Existe, entretanto, um grande problema a ser resolvido: tecnicamente, ela não existe.

O problema é que, para que uma disciplina seja considerada realmente uma Engenharia, é necessário atender a alguns requisitos básicos que a Engenharia de Software, pelos menos até agora, não atende. Veja a definição de Engenharia:

"A Engenharia deve criar soluções com uma relação custo-benefício adequada para problemas práticos, pela aplicação de conhecimentos científicos, para construir coisas a serviço da humanidade."

Dentro destes conceitos, a Engenharia de Software falha principalmente no que diz respeito à adequação do custo-benefício e à aplicação, em toda a sua extensão, de conhecimentos científicos. Atualmente, estes requisitos são atendidos apenas em parte.

É necessário definir, portanto, o que é exatamente a Engenharia de Software. Veja algumas tentativas de definição:

"...é a disciplina que integra métodos, ferramentas e procedimentos para o desenvolvimento de software para computadores."

"...é uma coleção de processos de gerenciamento, ferramental de software e atividades de projeto para o desenvolvimento de software. "

"...é um termo usado para referir-se a modelos de ciclo de vida, metodologias de rotina, técnicas de estimativa de custo, estruturas de documentação, ferramentas de gerenciamento de configuração, técnicas de garantia de qualidade e outras técnicas de padronização da atividade de produção de software."

Qualidade de Produtos de Software - ISO 9126

 

Quando se pensa em qualidade de um "produto físico", é fácil imaginar padrões de comparação, provavelmente ligado às dimensões do produto ou alguma outra característica física. Quando se trata de software, como podemos definir exatamente o que é a qualidade? Parece difícil...

Felizmente, para nós, a ISO (Organização Internacional de Padrões) já pensou bastante sobre o assunto. O suficiente para publicar uma norma que representa a atual padronização mundial para a qualidade de produtos de software. Esta norma chama-se ISO/IEC 9126 e foi publicada em 1991. Ela é uma das mais antigas da área de qualidade de software e já possui sua tradução para o Brasil, publicada em agosto de 1996 como NBR 13596.

Mas, afinal de contas, o que está escrito nesta norma ISO/IEC 9126 ou na NBR 13596? Bem, estas normas listam o conjunto de características que devem ser verificadas em um software para que ele seja considerado um "software de qualidade". São seis grandes grupos de características, cada um dividido em algumas subcaracterísticas.

Os nomes dados pelo ISO/IEC para as características e subcaracterísticas são um pouco complexos (para dizer a verdade, acho até que os próprios termos "características" e "subcaracterísticas" são mais complexos que o necessário). Entretanto, uma pessoa que trabalha com software não terá dificuldade em entendê-las. Observe na tabela abaixo a lista completa:

 

Característica

Subcaracterística

Pergunta chave para a subcaracterística

Funcionalidade
(satisfaz as necessidades?)

Adequação

Propõe-se a fazer o que é apropriado?

Acurácia

Faz o que foi proposto de forma correta?

Interoperbilidade

Interage com os sistemas especificados?

Conformidade

Está de acordo com as normas, leis, etc.?

Segurança de acesso

Evita acesso não autorizado aos dados?

Confiabilidade
(é imune a falhas?)

Maturidade

Com que freqüência apresenta falhas?

Tolerância a falhas

Ocorrendo falhas, como ele reage?

Recuperabilidade

É capaz de recuperar dados em caso de falha?

Usabilidade
(é fácil de usar?)

Intelegibilidade

É fácil entender o conceito e a aplicação?

Apreensibilidade

É fácil aprender a usar?

Operacionalidade

É fácil de operar e controlar?

Eficiência
(é rápido e "enxuto"?)

Tempo

Qual é o tempo de resposta, a velocidade de execução?

Recursos

Quanto recurso usa? Durante quanto tempo?

Manutenibilidade
(é fácil de modificar?)

Analisabilidade

É fácil de encontrar uma falha, quando ocorre?

Modificabilidade

É fácil modificar e adaptar?

Estabilidade

Há grande risco quando se faz alterações?

Testabilidade

É fácil testar quando se faz alterações?

Portabilidade
(é facil de usar em
outro ambiente?)

Adaptabilidade

É fácil adaptar a outros ambientes?

Capac. para ser instalado

É fácil instalar em outros ambientes?

Conformidade

Está de acordo com padrões de portabilidade?

Capac. para substituir

É fácil usar para substituir outro?

Métricas de Software

 

Embora a atual norma ISO 9126/NBR 13596 enumere as características e subcaracterísticas um software, ela ainda não define como dar uma nota a um software em cada um destes itens. Se nós não nos familiarizarmos com o processo de avaliação de software, pode ter dificuldades em tentar utilizar a norma. Se nós pretendecemos avaliar um software segundo esta norma, devemos tentar atribuir valores (como se fossem notas ou conceitos) a cada uma das subcaracterísticas.

Algumas características podem ser realmente medidas, como o tempo de execução de um programa, número de linhas de código, número de erros encontrados em uma sessão de teste ou o tempo médio entre falhas. Nestes casos, é possível utilizar uma técnica, uma ferramenta ou um software para realizar medições. Em outros casos, a característica é tão subjetiva que não existe nenhuma forma óbvia de medí-la.

Ficam, portanto, as questões: como dar uma nota, em valor numérico, a uma característica inteiramente subjetiva? O que representa, por exemplo, uma "nota 10" em termos de "Segurança de Acesso"? Quando se pode dizer que a "Intelegibilidade" de um software pode ser considerada "satisfatória"? Criou-se, então, uma área de estudo à parte dentro da Qualidade de Software conhecida como Métricas de Software. O que se pretende fazer é definir, de forma precisa, como medir numericamente uma determinada característica.

Para avaliar uma determinada subcaracterística subjetiva de forma simplificada, por exemplo, nós podemos criar uma série de perguntas do tipo "sim ou não". Crie as perguntas de forma tal que as respostas "sim" sejam aquelas que indicam uma melhor nota para a característica. Depois de prontas as perguntas, basta avaliar o software, respondendo a cada pergunta. Se nós conseguirmos listar 10 perguntas e o software obtiver uma resposta "sim" em 8 delas, terá obtido um valor de 80% nesta característica.

Obviamente, a técnica acima não é muito eficiente. Para melhorá-la, entretanto, nós podemos garantir um número mínimo perguntas para cada característica. Além disso, algumas perguntas mais importantes podem ter pesos maiores. É possível, ainda, criar perguntas do tipo ABCDE, onde cada resposta indicaria um escore diferenciado. Alguns estudiosos sugerem formas diferentes de medir uma característica, baseada em conceitos do tipo "não satisfaz", "satisfaz parcialmente", "satisfaz totalmente" e "excede os padrões". Estes conceitos, emboram parecem muito subjetivos, não deixam de ser uma forma eficiente de medir uma característica.

Em todos os casos, um fato fica claro: nada ajuda mais a avaliar características de um software do que um avaliador experiente, que já realizou esta tarefa diversas vezes e em diversas empresas diferentes. Afinal, medir é comparar com padrões e um avaliador experiente terá maior sensibilidade do que um profissional que acaba de ler uma norma pela primeira vez.

Atualmente, a norma ISO/IEC 9126 está sendo revisada. A revisão, que deverá estar pronta nos próximos anos, não deverá modificar nenhuma das características básicas da 9126. A maior modificação será a inclusão de dois documentos adicionais para descrever métricas externas (relativas ao uso do produto) e métricas internas (relativas à arquitetura do produto). Veja algumas das modificações previstas para esta revisão:

 

·         Algumas novas subcaracterísticas. Conformidade fará parte de todas as características. Atratividade será uma subcaracterística de usabilidade. Capacidade de coexistir será uma subcaracterística de portabilidade.

·         A norma será dividida em três partes. A primeira (9126-1) incluirá definições e características. As duas seguintes descreverão métricas externas (9126-2) e internas (9126-3).

·         A versão brasileira da revisão desta norma deverá ser chamada de NBR 9126-1, 9126-2 e 9126-3, segundo a numeração original da ISO/IEC.

 

Guias para a Avaliação da Qualidade - ISO 14598

 

As características e subcaracterísticas da norma ISO/IEC 9126 apenas começaram o trabalho. Faltava definir, em detalhes, como atribuir um conceito para cada item. Afinal, sem uma padronização, que valor teria uma avaliação?

A ISO, consciente deste problema, está finalizando o trabalho em um conjunto de Guias para a Avaliação da Qualidade segundo a norma ISO/IEC 9126. Estes guias descrevem, detalhadamente, todos os passos para que se avalie um software. Embora o trabalho nesta norma ainda não esteja totalmente pronta, já existem informações detalhadas sobre o que será esta norma, quando for oficialmente publicada.

Esta nova norma trará muitos recursos interessantes aos avaliadores, já que trata o processo de avaliação em grande detalhe. Ela leva em conta a existência de três grupos interessados em avaliar um software, o que define os três tipos básicos de certificação:

 

Certificação

Quem realiza

Finalidade

de 1a. parte

Empresas que desenvolvem software

Melhorar a qualidade de seu próprio produto

de 2a. parte

Empresas que adquirem software

Determinar a qualidade do produto que irão adquirir

de 3a. parte

Empresas que fazem certificação

Emitir documento oficial sobre a qualidade de um software

 

Esta norma se constituirá, na verdade, de seis documentos distintos, relacionados entre si. Veja:

 

Norma

Nome

Finalidade

14598-1

Visão Geral

Ensina a utilizar as outras normas do grupo

14598-2

Planejamento e Gerenciamento

Sobre como fazer uma avaliação, de forma geral

14598-3

Guia para Desenvolvedores

Como avaliar sob o ponto do vista de quem desenvolve

14598-4

Guia para Aquisição

Como avaliar sob o ponto de vista de quem vai adquirir

14598-5

Guia para Avaliação

Como avaliar sob o ponto de vista de quem certifica

14598-6

Módulos de Avaliação

Detalhes sobre como avaliar cada característica

 

Em resumo, esta nova norma complementará a ISO/IEC 9126 e permitirá uma avaliação padronizada das características de qualidade de um software. É importante notar que, ao contrário da 9126, a 14598 vai a detalhes mínimos, incluindo modelos para relatórios de avaliação, técnicas para medição das características, documentos necessários para avaliação e fases da avaliação. Como um exemplo, observe um modelo de relatório de avaliação, segundo um anexo da norma 14598-5:

 

Seção

Itens

1 - Prefácio

Identificação do avaliador
Identificação do relatório de avaliação
Identificação do contratante e fornecedor

2 - Requisitos

Descrição geral do domínio de aplicação do produto
Descrição geral dos objetivos do produto
Lista dos requisitos de qualidade, incluindo
- Informações do produto a serem avaliadas
- Referências às características de qualidade
- Níveis de avaliação

3 - Especificação

Abrangência da avaliação
Referência cruzada entre os requisitos de avaliação e os componentes do produto
Especificação das medições e dos pontos de verificação
Mapeamento entre a especificação das medições com os requisitos de avaliação

4 - Métodos

Métodos e componentes nos quais o método será aplicado

5 - Resultado

Resultados da avaliação propriamente ditos
Resultados intermediários e decisões de interpretação
Referência às ferramentas utilizadas

 

As normas 14598-1, 14598-4 e 14598-5 já foram publicadas. As demais estão em processo de finalização. Está sendo feito pela ABNT um trabalho de tradução desta norma (tanto dos itens já publicados quanto das versões preliminares dos itens restantes). Com isso, esta norma terá sua versão brasileira pouco tempo depois do final de sua publicação pela ISO.

Qualidade de Pacotes de Software - ISO 12119

 

Esta norma foi publicada em 1994 e trata da avaliação de pacotes de software, também conhecidos como "software de prateleira". Além de estabelecer os requisitos de qualidade para este tipo de software, ela também destaca a necessidade de instruções para teste deste pacote, considerando estes requisitos. A norma divide-se em itens, da seguinte forma:

 

Item

Descrição

1. Escopo

2. Definições

3. Requisitos de qualidade

3.1. Descrição do Produto

Descreve o produto, de forma a ajudar o comprador em potencial, servindo como base para testes. Cada declaração deve ser correta e testável. Deve incluir declarações sobre funcionalidade, confiabilidade, usabilidade, eficiência, manutenibilidade e portabilidade.

3.2. Documentação do usuário

Deve ser completa, correta, consistente, fácil de entender e capaz de dar uma visão geral do produto.

3.3. Programas e dados

Descreve em detalhes cada uma das funções do software, incluindo declarações sobre funcionalidade, confiabilidade, usabilidade, eficiência, manutenibilidade e portabilidade.

4. Instruções para teste

4.1. Pré-requisitos de teste

Lista de itens necessários ao teste, incluindo documentos incluídos no pacote, componentes do sistema e material de treinamento.

4.2. Atividades de teste

Instruções detalhadas sobre os procedimentos de teste, inclusive instalação e execução de cada uma das funções descritas.

4.3. Registro de teste

Informações sobre como os testes foram realizados, de tal forma a permitir uma reprodução destes testes. Deve incluir parâmetros utilizados, resultados associados, falhas ocorridas e até a identidade do pessoal envolvido.

4.4. Relatório de teste

Relatório inlcuindo: identificação do produto, hardware e software utilizado, documentos utilizados, resultados dos testes, lista de não conformidade com os requisitos, lista de não conformidade com as recomendações, datas, etc.

 

Um dos grandes méritos desta norma está na profundidade com que são descritas cada uma das características e subcaracterísticas mencionadas na norma 9126. A norma inclui detalhes que devem estar presentes no produto, tais como:

 

·         Documentação do usuário de fácil compreensão

·         Um sumário e um índice remissivo na documentação do usuário

·         Presença de um Manual de instalação com instruções detalhadas

·         Possibilidade de verificar se uma instalação foi bem sucedida

·         Especificação de valores limites para todos os dados de entrada, que deverão ser testados

·         Operação normal mesmo quando os dados informados estão fora dos limites especificados

·         Consistência de vocabulário entre as mensagens e a documentação

·         Função de auxílio (help) com recursos de hipertexto

·         Mensagens de erro com informações necessárias para a solução da situação de erro

·         Diferenciação dos tipos de mensagem: confirmação, consulta, advertência e erro

·         Clareza nos formatos das telas de entrada e relatórios

·         Capacidade de reverter funções de efeito drástico

·         Alertas claros para as conseqüências de uma determinada confirmação

·         Identificação dos arquivos utilizados pelo programa

·         Identificação da função do programa que está sendo executada no momento

·         Capacidade de interromper um processamento demorado

 

Qualidade do Processo de Software

 

Os estudos sobre qualidade mais recentes são na sua maioria voltados para o melhoramento do processo de desenvolvimento de software. Não é que a qualidade do produto não seja importante, ela é. Mas o fato é que, ao garantir a qualidade do processo, já se está dando um grande passo para garantir também a qualidade do produto.

O estudo da Qualidade do Processo de Software é uma área ligada diretamente à Engenharia de Software. O estudo de um ajuda a entender e aprimorar o outro. Em ambas as disciplinas, estuda-se modelos do processo de desenvolvimento de software. Estes modelos são uma tentativa de explicar em detalhes como se desenvolve um software, quais são as etapas envolvidas. É necessário compreender cada pequena tarefa envolvida no desenvolvimento.

Entre os estudos nesta área de maior importância, podemos citar:

 

·         ISO 9000-3 - Normas para aplicação da série ISO 9000 em processos de software

·         ISO 12207 - Processos do Ciclo de Vida do Software

·         CMM - Capability Maturity Model

·         PSP - Personal Software Process

·         ISO 15504 - SPICE - Software Process Improvement and Capability dEtermination

·         Modelo Trillium

·         Metodologia Bootstrap

·         Engenharia de Software Cleanroom

 

Dentre os trabalhos na área de Qualidade de Processo de Software, o único que realmente é norma oficial é o ISO 9000-3, que faz parte da série ISO 9000. Os demais modelos são normas não-oficiais criados por empresas e institutos ou então são normas em estágio de desenvolvimento.

 

A Série ISO 9000

 

Esta série é um conjunto de normas da ISO que define padrões para garantia e gerenciamento da qualidade. Veja algumas destas normas abaixo:

 

Norma

Trata de

ISO 9001

Modelo para garantia da qualidade em projeto, desenvolvimento, produção, instalação e assistência técnica.

ISO 9002

Modelo para garantia da qualidade em produção e instalação

ISO 9003

Modelo para garantia da qualidade em inspeção e ensaios finais

ISO 9000-1

Diretrizes para escolher entre as normas ISO 9001, 9002 e 9003

ISO 9000-3

Orientação para a aplicação da ISO 9001 em Software

 

Entre as normas 9001, 9002 e 9003, a primeira é a que mais se adequa ao desenvolvimento e manutenção de software. Como toda norma deste grupo, ela é usada para garantir que um fornecedor atende aos requisitos especificados nos diversos estados do desenvolvimento. Estes estágios incluem projeto, desenvolvimento, produção, instalação e suporte.

A norma ISO 9000-3 (não confundir com a ISO 9003) traz os roteiros para aplicar a ISO 9001 especificamente na área de desenvolvimento, fornecimento e manutenção de software. Todas as orientações giram em torno de uma "situação contratual", onde uma outra empresa contrata a empresa em questão para desenvolver um produto de software. Veja na tabela abaixo os processos definidos na ISO 9000-3:

 

Grupo

Atividade

Estrutura do Sistema de Qualidade

Responsabilidade do fornecedor
Responsabilidade do comprador
Análise crítica conjunta

Atividades do Ciclo de Vida

Análise crítica do contrato
Especificação dos requisitos do comprador
Planejamento do desenvolvimento
Projeto e implementação
Testes e validação
Aceitação
Cópia, entrega e instalação
Manutenção

Atividades de Apio

Gerenciamento de configuração
Controle de documentos
Registros da qualidade
Medição
Regras, convenções
Aquisição
Produto de software incluído
Treinamento

 

O processo de certificação de uma empresa de software segundo as normas ISO 9001 / 9000-3 segue um conjunto de passos bem definidos:

 

1.        A empresa estabelece o seu sistema de qualidade

2.        A empresa faz uma solicitação formal a um órgão certificador, incluindo detalhes do negócio da empresa, escopo da certificação solicitada e cópia do manual de qualidade

3.        O órgão certificador faz uma visita à empresa, colhe mais dados e explica o processo de certificação

4.        O órgão certificador verifica se a documentação do sistema de qualidade está de acordo com a norma ISO

5.        O órgão certificador envia uma equipe à empresa com fins de auditoria. Nesta visita, será verificado se todos na empresa cumprem o que está documentado no manual de qualidade.

6.        O órgão certificador emite o certificado de qualidade

7.        O órgão certificador realiza visitas periódicas à empresa para assegurar que o sistema continua sendo efetivo.

 

Processos do Ciclo de Vida do Software - ISO 12207

 

Este padrão formaliza a arquitetura do ciclo de vida do software, que é um assunto básico em Engenharia de Software e também em qualquer estudo sobre Qualidade do Processo de Software. Estes processos estão divididos em três classes: Processos Fundamentais, Processos de Apoio e Processos Organizacionais.

 

Veja a lista completa dos processos na tabela abaixo:

 

Processos Fundamentais

Início e execução do desenvolvimento, operação ou manutenção do software durante o seu ciclo de vida.

Aquisição

Atividades de quem um software. Inclui: definição da necessidade de adquirir um software (produto ou serviço), pedido de proposta, seleção de fornecedor, gerência da aquisição e aceitação do software.

Fornecimento

Atividades do fornecedor de software. Inclui preparar uma proposta, assinatura de contrato, determinação recursos necessários, planos de projeto e entrega do software.

Desenvolvimento

Atividades do desenvolvedor de software. Inclui: análise de requisitos, projeto, codificação, integração, testes, instalação e aceitação do software.

Operação

Atividades do operador do software. Inclui: operação do software e suporte operacional aos usuários.

Manutenção

Atividades de quem faz a manutenção do software.

Processos de Apoio

Auxiliam um outro processo.

Documentação

Registro de informações produzidas por um processo ou atividade. Inclui planejamento, projeto, desenvolvimento, produção, edição, distribuição e manutenção dos documentos necessários a gerentes, engenheiros e usuários do software.

Gerência de Configuração