INTRODUÇÃO

 

A ISO 9000 surgiu há dez anos, fazendo um desafio às empresas que não pretendiam ficar fora do mundo globalizado. A implementação desse conjunto de normas de gestão, padronizadas pela International Organization for Standardization, a ISO, com sede em Genebra, tornou-se cada vez mais necessária para atender a exigências internacionais de qualidade. Reflexos disso são sentidos diretamente nos produtos e serviços, na competitividade e na produtividade. Para obter um certificado IS0 9000, exige-se um grande número de formulários, planilhas e documentos, muitas vezes resultando no engessamento da empresa e na desmotivação de pessoal.

 

"Toda essa burocracia acabou fazendo com que as empresas se perdessem um pouco em meio a tantos documentos a preencher"

 

ISO 9000

A ISO - International Organization for Standardization- é um organismo normatizador com sede em Genebra, na Suíca. Foi fundado em 1947 e, a partir do final da década passada, quando foram criadas as normas da série 9000 (1987), passou a imperar na Europa e posteriormente em todo o mundo como referência de excelência em Sistemas de  Qualidade.
A ISO tem como objetivo fixar normas técnicas essenciais de âmbito internacional .
Aproximadamente 113 países já adotaram a ISO como norma essencial e, dados recentes, nos mostram que cerca de 95% da produção industrial de todo o planeta são oriundas de países que adotam as normas ISO série 9000 como normas oficiais. No mundo inteiro, já são mais de 120.000 certificados emitidos pela ISO, sendo que o Brasil já conta com 1.300 certificados e possivelmente outros tantos em vias de emissão.
Como a ISO define regras iguais para todos, as empresas competem igualmente.
Apesar do grande número de normas da família ISO 9000, somente três delas estabelecem os requisitos mínimos obrigatórios de um Sistema de Qualidade. Estas normas são as chamadas Normas Contratuais: ISO 9001, 9002 e 9003, sendo que as empresas são certificadas em uma delas de acordo com a sua atividade comercial.
Alguns estudiosos se referem a ISO 9000 como um passo obrigatório em busca da QUALIDADE TOTAL. Outros já dizem que são atividades distintas, sem elo entre elas. Porém, todos são unânimes em afirmar que a ISO 9000 é uma importante ferramenta.

 

 

CERTIFICAÇÃO DE CONFORMIDADE DE

ACORDO COM AS NORMAS ISO 9000

 

A certificação pode ser de primeira parte quando a própria empresa atesta que seu sistema de Qualidade atende aos requisitos de uma norma. Pode ser de segunda parte quando o atestado é fornecido pelo contratante da empresa que para tal realiza auditorias no sistema de Qualidade da empresa. É o caso da certificação de sistemas de Qualidade realizada pela Petrobrás e Telebrás junto com seus fornecedores.

 

A certificação pode ser também de terceira parte quando um órgão independente, denominado OCC Organismo de Certificação Credenciado, reconhecido pelo INMETRO (Instituto de Normalização, Metrologia e Qualidade Industrial), realiza auditorias no sistema de gestão da qualidade da empresa e comprova sua conformidade aos requisitos de uma dada norma da série ISO 9000. No Brasil existem várias entidades certificadoras de terceira parte operando no mercado, a maioria delas de origem estrangeira. Tais entidades já concederam um total de 1.650 certificados de conformidade a empresas brasileiras.

 

O sistema da Qualidade da empresa é certificado apenas de acordo com as normas ISO 9001, ISO 9002 ou ISO 9003. A empresa é certificada de acordo com a norma ISO 9001 quando tem um sistema da qualidade que abrange a concepção e o desenvolvimento do produto, a fabricação e montagem desse produto e a assistência técnica pós-entrega. Quando o sistema da Qualidade da empresa abrange apenas a fabricação e montagem do produto e a assistência técnica pós-entrega, ela é certificada de acordo com a norma ISO 9002. Já a certificação ISO 9003 destina-se a empresas que focam seu sistema da qualidade apenas nas inspeções e ensaios finais do produto. A norma ISO 9003 é uma norma que tende a desaparecer pois não tem o caráter preventivo essencial para a gestão da Qualidade.

 

No caso das empresas construtoras, a norma aplicável é a ISO 9002, devendo a empresa definir qual é o escopo da sua certificação, ou seja, os produtos e processos para os quais a empresa tem implantado seu sistema da Qualidade e deseja ser certificada por uma OCC. Nesse sentido o escopo de certificação pode ser uma tipologia de obra: obras habitacionais da CDHU ou ter um escopo mais amplo: construção de edifícios, por exemplo.

 

A norma ISO 9000 não se presta à certificação de sistemas da Qualidade, mas sim ao estabelecimento de diretrizes de uso das demais normas da série. Também a norma ISO 9004 não se destina à certificação mas sim ao estabelecimento de orientações para que as empresas implantem seus sistemas de gestão da Qualidade.

 

 

 

QUALIDADE

 

Existem diversas definições para Qualidade. Algumas pessoas que tentaram uma definição simples chegaram a frases como:

 

• ” Qualidade é estar em conformidade com os requisitos dos clientes “

• “ Qualidade é antecipar e satisfazer os desejos dos clientes “

• “ Qualidade é escrever tudo o que se deve fazer e fazer tudo o que foi escrito “

 

Segunda a atual norma brasileira sobre o assunto (NBR ISO 8402), qualidade é:

 

“A totalidade das características de uma entidade que lhe confere a capacidade de satisfazer às necessidades explícitas e implícitas”

 

Esta definição formal exige alguns complementos, principalmente para definir o que são as entidades, as necessidades explícitas e as necessidades implícitas. A entidade é o produto do qual estamos falando, que pode ser um bem ou um serviço. As necessidades explícitas são as próprias condições e objetivos propostos pelo produtor. As necessidades implícitas incluem as diferenças entre os usuários, a evolução no tempo, as implicações éticas, as questões de segurança e outras visões subjetivas.

 

Por exemplo, a qualidade de um prato de comida (a entidade, o produto) está relacionada com a satisfação de necessidades (requisitos) tais como: sabor, aparência, temperatura, rapidez no serviço, preço, higiene, valor nutricional, etc... Para avaliar a qualidade de um produto, você deve fazer uma lista destas necessidades e analisar cada uma destas necessidades.

 

Qualidade é um tema muito discutido e estudado. Na área de software, há uma urgente necessidade de uma maior preocupação sobre o tema.

 

•Qualidade

•Certificação de Qualidade

•Qualidade de Produto x Qualidade de Processo

•Qualidade de Software

•Engenharia de Software

•Qualidade de Produtos de Software - ISO 9126

•Métricas de Software

•Guias para a Avaliação da Qualidade - ISO 14598

•Qualidade de Pacotes de Software - ISO 12119

•Qualidade de Processos

•A Série ISO 9000

•CMM - Capability Maturity Model

•PSP - Personal Software Process

•Processos do Ciclo de Vida do Software - ISO 12207

•SPICE - Software Process Improvement and Capability dEtermination - ISO 15504

 

·          CERTIFICAÇÃO DE QUALIDADE

 

 

Um aspecto interessante da qualidade é que não basta que ela exista. Ela deve ser reconhecida pelo cliente. Por causa disso, é necessário que exista algum tipo de certificação oficial, emitida com base em um padrão. Alguns certificados mais comuns:

•O selo do SIF de inspeção da carne

•O selo da ABIC nos pacotes de café

•O certificado da Secretaria de Saúde para restaurantes (classe "A" são os melhores)

•A classificação em estrelas dos hotéis (hotéis com cinco estrelas são ótimos)

•Os certificados de qualidade da série ISO-9000

Existem muitas propagandas de empresas falando de sua certificação ISO-9000. Isto nada mais é do que um padrão de qualidade (reconhecido mundialmente) pelo qual esta empresa foi avaliada e julgada. Para que seja possível realizar uma avaliação e um julgamento, é necessário haver um padrão ou norma. Existem alguns organismos normalizadores reconhecidos mundialmente:

 

•ISO - International Organization for Standardization

•IEEE - Instituto de Engenharia Elétrica e Eletrônica

•ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas

 

A norma ISO-9000, por exemplo, foi criada pela ISO para permitir que todas as empresas do mundo possam avaliar e julgar sua qualidade. Existindo um padrão único mundial, uma empresa do Brasil, mesmo não tendo nenhum contato com uma outra empresa na Europa, pode garantir a ela a qualidade de seu trabalho.

 

A Certificação em uma norma ou padrão é a emissão de um documento oficial indicando a conformidade com esta determinada norma ou padrão. É claro que, antes da emissão do certificado, é preciso realizar todo um processo de avaliação e julgamento de acordo com uma determinada norma. Embora uma empresa possa auto-avaliar-se ou ser avaliada por seus próprios clientes, o termo Certificação costuma ser aplicado apenas quando efetuado por uma empresa independente e idônea, normalmente especializada neste tipo de trabalho. No Brasil, o INMETRO é o órgão do governo responsável pelo credenciamento destas instituições que realizam a certificação de sistemas de qualidade.

 

·          QUALIDADE DO PRODUTO X QUALIDADE DO PROCESSO

 

Uma das evoluções mais importantes no estudo da qualidade está em notar que a qualidade do produto é algo bom, mas que qualidade do processo de produção é ainda mais importante.

Esta descoberta aconteceu durante a própria evolução dos conceitos de qualidade, ao longo dos anos. Observe na tabela abaixo como aconteceu esta evolução:

 

 

Inspeção pós-produção

Avalia o produto final, depois de pronto

1900 Controle estatístico da produção

Avalia os subprodutos das etapas de produção

1940 Procedimento de produção

Avalia todo o procedimento de produção

1950 Educação das pessoas

Avalia as pessoas envolvidas no processo

1960 Otimização dos processos

Avalia e otimiza cada processo

1970 Projeto robusto

Avalia o projeto de produção

1980 Engenharia simultânea

Avalia a própria concepção do produto1990

 

Hoje em dia, podemos consultar normas e padrões tanto para produtos quanto para processos. Obviamente, os certificados mais valiosos são aqueles que certificam o processo de produção de um produto e não aqueles que simplesmente certificam o produto. Entretanto, é comum encontrar empresas que perseguem os dois tipos de padrão de qualidade.

 

·      QUALIDADE DE SOFTWARE

 

 

Podemos aplicar as normas de qualidade também aos software mesmo que muitas pessoas achem que criar programas é uma arte e não tem como encaixá-los em alguma norma.

• Produtos de software são complexos, até mais do que o hardware onde executam

• Software não têm produção em série. Seu custo está no projeto e desenvolvimento

• Software não se desgasta e nem de modifica com o uso

• O Software é invisível. Sua representação em grafos e diagramas não é precisa.

• A Engenharia de Software ainda não está madura, é uma tecnologia em evolução

• Não há um acordo entre os profissionais da área sobre o que é Qualidade de Software

 

O problema não está no Software em si, mas na forma como as pessoas tem desenvolvido software até os dias de hoje.

Atualmente, muitas instituições se preocupam em criar normas para permitir a correta avaliação de qualidade tanto de produtos de software quanto de processos de desenvolvimento de software. Apenas para ter uma uma visão geral, observe o quadro abaixo com as principais normais nacionais e internacionais nesta área:

 

Norma Comentário ISO 9126

Características da qualidade de produtos de software

NBR 13596

Versão brasileira da ISO 9126

ISO 14598

Guias para a avaliação de produtos de software, baseados na utilização prática da norma ISO 9126

ISO 12119

Características de qualidade de pacotes de software (software de prateleira, vendido com um produto embalado) IEEE P1061 Standard for Software Quality Metrics Methodology (produto de software)

ISO 12207

Software Life Cycle Process. Norma para a qualidade do processo de desenvolvimento de software.

NBR ISO 9001

Sistemas de qualidade - Modelo para garantia de qualidade em Projeto, Desenvolvimento, Instalação e Assistência Técnica (processo)NBR ISO 9000-3Gestão de qualidade e garantia de qualidade. Aplicação da norma ISO 9000 para o processo de desenvolvimento de software.

NBR ISO 10011

Auditoria de Sistemas de Qualidade (processo) CMM Capability Maturity Model. Modelo da SEI (Instituto de Engenharia de Software do Departamento de Defesa dos EEUU) para avaliação da qualidade do processo de desenvolvimento de software. Não é uma norma ISO, mas é muito bem aceita no mercado.

SPICE ISO 15504

Projeto da ISO/IEC para avaliação de processo de desenvolvimento de software. Ainda não é uma norma oficial ISO, mas o processo está em andamento.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

·      ENGENHARIA DE SOFTWARE

 

A disciplina que vai nos ajuda a entender o processo de desenvolvimento de software é a Engenharia de Software. É através dela que poderemos chegar à qualidade. Existe, entretanto, um grande problema a ser resolvido: tecnicamente, ela não existe.

 

O problema é que, para que uma disciplina seja considerada realmente uma Engenharia, é necessário atender a alguns requisitos básicos que a Engenharia de Software, pelos menos até agora, não atende. Veja a definição de Engenharia:

 

"A Engenharia deve criar soluções com uma relação custo-benefício adequada para problemas práticos, pela aplicação de conhecimentos científicos, para construir coisas a serviço da humanidade."

 

Dentro destes conceitos, a Engenharia de Software falha principalmente no que diz respeito à adequação do custo-benefício e à aplicação, em toda a sua extensão, de conhecimentos científicos. Atualmente, estes requisitos são atendidos apenas em parte.

 

É necessário definir, portanto, o que é exatamente a Engenharia de Software. Veja algumas tentativas de definição:

 

"...é a disciplina que integra métodos, ferramentas e procedimentos para o desenvolvimento de software para computadores."

 

"...é uma coleção de processos de gerenciamento, ferramental de software e atividades de projeto para o desenvolvimento de software. "

 

"...é um termo usado para referir-se a modelos de ciclo de vida, metodologias de rotina, técnicas de estimativa de custo, estruturas de documentação, ferramentas de gerenciamento de configuração, técnicas de garantia de qualidade e outras técnicas de padronização da atividade de produção de software."

 

 

 

·      QUALIDADE DE PRODUTOS DE SOFTWARE - ISO 9126

 

Quando se pensa em qualidade de um "produto físico", é fácil imaginar padrões de comparação, provavelmente ligado às dimensões do produto ou alguma outra característica física. Quando se trata de software, como podemos definir exatamente o que é a qualidade? Parece difícil...

 

Felizmente, para nós, a ISO (Organização Internacional de Padrões) já pensou bastante sobre o assunto. O suficiente para publicar uma norma que representa a atual padronização mundial para a qualidade de produtos de software. Esta norma chama-se ISO/IEC 9126 e foi publicada em 1991. Ela é uma das mais antigas da área de qualidade de software e já possui sua tradução para o Brasil, publicada em agosto de 1996 como NBR 13596.

 

Mas, afinal de contas, o que está escrito nesta norma ISO/IEC 9126 ou na NBR 13596? Bem, estas normas listam o conjunto de características que devem ser verificadas em um software para que ele seja considerado um "software de qualidade". São seis grandes grupos de características, cada um dividido em algumas subcaracterísticas.

 

Os nomes dados pelo ISO/IEC para as características e subcaracterísticas são um pouco complexos. Entretanto, uma pessoa que trabalha com software não terá dificuldade em entendê-las. Observe na tabela abaixo a lista completa:

 

 

 

 

 

 

 

Característica

Subcaracterística

Pergunta chave para a subcaracterística

Funcionalidade
(satisfaz as necessidades?)

Adequação

Propõe-se a fazer o que é apropriado?

Acurácia

Faz o que foi proposto de forma correta?

Interoperbilidade

Interage com os sistemas especificados?

Conformidade

Está de acordo com as normas, leis, etc.?

Segurança de acesso

Evita acesso não autorizado aos dados?

Confiabilidade
(é imune a falhas?)

Maturidade

Com que freqüência apresenta falhas?

Tolerância a falhas

Ocorrendo falhas, como ele reage?

Recuperabilidade

É capaz de recuperar dados em caso de falha?

Usabilidade
(é fácil de usar?)

Intelegibilidade

É fácil entender o conceito e a aplicação?

Apreensibilidade

É fácil aprender a usar?

Operacionalidade

É fácil de operar e controlar?

Eficiência
(é rápido e "enxuto"?)

Tempo

Qual é o tempo de resposta, a velocidade de execução?

Recursos

Quanto recurso usa? Durante quanto tempo?

Manutenibilidade
(é fácil de modificar?)

Analisabilidade

É fácil de encontrar uma falha, quando ocorre?

Modificabilidade

É fácil modificar e adaptar?

Estabilidade

Há grande risco quando se faz alterações?

Testabilidade

É fácil testar quando se faz alterações?

Portabilidade
(é facil de usar em
outro ambiente?)

Adaptabilidade

É fácil adaptar a outros ambientes?

Capac. para ser instalado

É fácil instalar em outros ambientes?

Conformidade

Está de acordo com padrões de portabilidade?

Capac. para substituir

É fácil usar para substituir outro?

 

 

 

·      MÉTRICAS DE SOFTWARE

 

Embora a atual norma ISO 9126/NBR 13596 enumere as características e subcaracterísticas um software, ela ainda não define como dar uma nota a um software em cada um destes itens. Se você não está familiarizado com o processo de avaliação de software, pode ter dificuldades em tentar utilizar a norma. Se você pretende avaliar um software segundo esta norma, deve tentar atribuir valores (como se fossem notas ou conceitos) a cada uma das subcaracterísticas.

 

Algumas características podem ser realmente medidas, como o tempo de execução de um programa, número de linhas de código, número de erros encontrados em uma sessão de teste ou o tempo médio entre falhas. Nestes casos, é possível utilizar uma técnica, uma ferramenta ou um software para realizar medições. Em outros casos, a característica é tão subjetiva que não existe nenhuma forma óbvia de medí-la.

 

Ficam, portanto, as questões: como dar uma nota, em valor numérico, a uma característica inteiramente subjetiva? O que representa, por exemplo, uma "nota 10" em termos de "Segurança de Acesso"? Quando se pode dizer que a "Intelegibilidade" de um software pode ser considerada "satisfatória"? Criou-se, então, uma área de estudo à parte dentro da Qualidade de Software conhecida como Métricas de Software. O que se pretende fazer é definir, de forma precisa, como medir numericamente uma determinada característica.

 

Para avaliar uma determinada subcaracterística subjetiva de forma simplificada, por exemplo, você pode criar uma série de perguntas do tipo "sim ou não". Crie as perguntas de forma tal que as respostas "sim" sejam aquelas que indicam uma melhor nota para a característica. Depois de prontas as perguntas, basta avaliar o software, respondendo a cada pergunta. Se você conseguir listar 10 perguntas e o software obtiver uma resposta "sim" em 8 delas, terá obtido um valor de 80% nesta característica.

 

Obviamente, a técnica acima não é muito eficiente. Para melhorá-la, entretanto, você pode garantir um número mínimo perguntas para cada característica. Além disso, algumas perguntas mais importantes podem ter pesos maiores. É possível, ainda, criar perguntas do tipo ABCDE, onde cada resposta indicaria um escore diferenciado. Alguns estudiosos sugerem formas diferentes de medir uma característica, baseada em conceitos do tipo "não satisfaz", "satisfaz parcialmente", "satisfaz totalmente" e "excede os padrões". Estes conceitos, emboram parecem muito subjetivos, não deixam de ser uma forma eficiente de medir uma característica.

 

Em todos os casos, um fato fica claro: nada ajuda mais a avaliar características de um software do que um avaliador experiente, que já realizou esta tarefa diversas vezes e em diversas empresas diferentes. Afinal, medir é comparar com padrões e um avaliador experiente terá maior sensibilidade do que um profissional que acaba de ler uma norma pela primeira vez.

 

Atualmente, a norma ISO/IEC 9126 está sendo revisada. A revisão, que deverá estar pronta nos próximos anos, não deverá modificar nenhuma das características básicas da 9126. A maior modificação será a inclusão de dois documentos adicionais para descrever métricas externas (relativas ao uso do produto) e métricas internas (relativas à arquitetura do produto). Veja algumas das modificações previstas para esta revisão:

 

• Algumas novas subcaracterísticas. Conformidade fará parte de todas as características. Atratividade será uma subcaracterística de usabilidade. Capacidade de coexistir será uma subcaracterística de portabilidade.

• A norma será dividida em três partes. A primeira (9126-1) incluirá definições e características. As duas seguintes descreverão métricas externas (9126-2) e internas (9126-3).

• A versão brasileira da revisão desta norma deverá ser chamada de NBR 9126-1, 9126-2 e 9126-3, segundo a numeração original da ISO/IEC.

 

·      GUIAS PARA A AVALIAÇÃO DA QUALIDADE - ISO 14598

 

Todos notaram a necessidade de mais detalhes sobre como avaliar a qualidade de um software. As características e subcaracterísticas da norma ISO/IEC 9126 apenas começaram o trabalho. Faltava definir, em detalhes, como atribuir um conceito para cada item. Afinal, sem uma padronização, que valor teria uma avaliação?

 

A ISO, consciente deste problema, está finalizando o trabalho em um conjunto de Guias para a Avaliação da Qualidade segundo a norma ISO/IEC 9126. Estes guias descrevem, detalhadamente, todos os passos para que se avalie um software. Embora o trabalho nesta norma ainda não esteja totalmente pronta, já existem informações detalhadas sobre o que será esta norma, quando for oficialmente publicada.

 

Esta nova norma trará muitos recursos interessantes aos avaliadores, já que trata o processo de avaliação em grande detalhe. Ela leva em conta a existência de três grupos interessados em avaliar um software, o que define os três tipos básicos de certificação:

 

Certificação

Quem realiza

Finalidade

1a. parte

Empresas que desenvolvem software

Melhorar a qualidade de seu próprio produto

2a. parte

Empresas que adquirem software

Determinar a qualidade do produto que irão adquirir

3a. parte

Empresas que fazem certificação

Emitir documento oficial sobre a qualidade de um software

 

Esta norma se constituirá, na verdade, de seis documentos distintos, relacionados entre si. Veja:

 

Norma/Nome/Finalidade

 

14598-1 Visão Geral Ensina a utilizar as outras normas do grupo;

14598-2 Planejamento e Gerenciamento Sobre como fazer uma avaliação, de forma geral;

14598-3 Guia para Desenvolvedores Como avaliar sob o ponto do vista de quem desenvolve ;

14598-4 Guia para Aquisição Como avaliar sob o ponto de vista de quem vai adquirir ;

14598-5 Guia para Avaliação Como avaliar sob o ponto de vista de quem certifica;

14598-6 Módulos de Avaliação Detalhes sobre como avaliar cada característica;

 

Em resumo, esta nova norma complementará a ISO/IEC 9126 e permitirá uma avaliação padronizada das características de qualidade de um software. É importante notar que, ao contrário da 9126, a 14598 vai a detalhes mínimos, incluindo modelos para relatórios de avaliação, técnicas para medição das características, documentos necessários para avaliação e fases da avaliação. Como um exemplo, observe um modelo de relatório de avaliação, segundo um anexo da norma 14598-5:

 

 

Seção Itens

1 – Prefácio Identificação do avaliador

Identificação do relatório de avaliação

Identificação do contratante e fornecedor

 

2 – Requisitos Descrição geral do domínio de aplicação do produto

Descrição geral dos objetivos do produto

Lista dos requisitos de qualidade, incluindo - Informações do produto a serem avaliadas - Referências às características de qualidade - Níveis de avaliação

 

3 – Especificação Abrangência da avaliação.

Referência cruzada entre os requisitos de avaliação e os componentes do produto

Especificação das medições e dos pontos de verificação

Mapeamento entre a especificação das medições com os requisitos de avaliação

 

4        - Métodos e componentes nos quais o método será aplicado

 

5 - Resultados da avaliação propriamente ditos

Resultados intermediários e decisões de interpretação

Referência às ferramentas utilizadas

 

As normas 14598-1, 14598-4 e 14598-5 já foram publicadas. As demais estão em processo de finalização. Está sendo feito pela ABNT um trabalho de tradução desta norma (tanto dos itens já publicados quanto das versões preliminares dos itens restantes). Com isso, esta norma terá sua versão brasileira pouco tempo depois do final de sua publicação pela ISO.

 

·      QUALIDADE DE PACOTES DE SOFTWARE - ISO 12119

 

Esta norma foi publicada em 1994 e trata da avaliação de pacotes de software, também conhecidos como "software de prateleira". Além de estabelecer os requisitos de qualidade para este tipo de software, ela também destaca a necessidade de instruções para teste deste pacote, considerando estes requisitos. A norma divide-se em itens, da seguinte forma:

 

Item Descrição

 

1.      Escopo

2.      Definições

3.      Requisitos de qualidade

3.1.           Descrição do Produto Descreve o produto, de forma a ajudar o comprador em potencial, servindo como base para testes. Cada declaração deve ser correta e testável. Deve incluir declarações sobre funcionalidade, confiabilidade, usabilidade, eficiência, Manutenibilidade e portabilidade.

3.2.           Documentação do usuário Deve ser completa, correta, consistente, fácil de entender e capaz de dar uma visão geral do produto.